Corpo de ‘Sicário’ de Daniel Vorcaro é velado neste domingo (8) em BH
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão morreu na noite dessa sexta-feira (6), após conclusão do protocolo de morte encefálica
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, investigado por atuar em um esquema de monitoramento e intimidação ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, morreu na noite da última sexta-feira (6), em Belo Horizonte, após a confirmação de morte encefálica. Ele havia sido socorrido depois de uma tentativa de suicídio dentro da cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais.
De acordo com comunicado divulgado pela defesa, o óbito foi declarado oficialmente às 18h55, após a conclusão do protocolo médico iniciado na manhã do mesmo dia. Após os procedimentos legais, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
O velório de Mourão ocorre neste domingo (8), no Memorial Zelo, em Belo Horizonte, entre 11h30 e 14h30. O sepultamento está marcado para as 15h30, no Cemitério do Bonfim, na região Noroeste da capital mineira.
Tentativa de suicídio na cela
Mourão havia sido preso na manhã de quarta-feira (4) durante a operação denominada Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Na tarde do mesmo dia, ele teria tentado tirar a própria vida utilizando a camisa que vestia dentro da cela.
Agentes da PF realizaram manobras de reanimação por cerca de 30 minutos até a chegada de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O investigado foi encaminhado ao Hospital João XXIII, onde chegou por volta das 17h56.
Inicialmente atendido na sala de politrauma, Mourão passou por diversos exames antes de ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante todo o período de internação, ele permaneceu sob escolta policial.
Defesa descarta “queima de arquivo”
O advogado Robson Lucas da Silva, que atuou na defesa de Mourão, afirmou em entrevista que não acredita na hipótese de “queima de arquivo”, termo utilizado quando alguém é morto para impedir que revele informações em investigações.
Segundo o defensor, o investigado teria tomado a iniciativa de tentar o suicídio ainda dentro da cela, utilizando a própria camisa.
Investigação sobre esquema de espionagem
Luiz Phillipi Mourão era apontado pelas autoridades como um dos principais operadores de um esquema investigado pela Polícia Federal. Conhecido pelo apelido de “Sicário”, ele teria atuado no monitoramento de adversários e na obtenção de informações sigilosas relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master.
A prisão foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. De acordo com as investigações, Mourão teria coordenado atividades de vigilância, levantamento de dados confidenciais e ações destinadas a pressionar ou intimidar pessoas consideradas adversárias do grupo investigado.
Relatórios da investigação apontam que ele poderia receber pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão para atuar nessas atividades.
Entre os casos citados nas apurações estão conversas que mencionariam o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, alvo de reportagens críticas ao empresário. Em mensagens analisadas pelos investigadores, haveria sugestões para que o jornalista fosse seguido e até agredido durante um suposto assalto.
A Polícia Federal apura possíveis crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude processual, violação de sigilo funcional e obstrução de Justiça.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos no esquema.
Fonte: itatiaia.com.br




